domingo, 23 de agosto de 2015

AULA 3 DE SOCIOLOGIA DO 2º ANO. 3º BIMESTRE. ENSINO MÉDIO

TRABALHO ESCRAVO NO SÉCULO XXI?

Embora a abolição da escravatura tenha acontecido no Brasil em 1888, ou seja, no século XIX, hoje, em pleno século XXI, podemos falar que ainda existe trabalho escravo em nosso país. Porém, a escravidão contemporânea tem algumas características diferentes da escravidão anterior. Nesta aula, vamos refletir juntos sobre o que é e como acontece o trabalho escravo no século XXI.

Atualmente, considera-se trabalho escravo a forma degradante de trabalho na qual o trabalhador não tem a garantia de sua liberdade. Na zona rural, na qual se encontra a maior incidência de trabalho escravo, os trabalhadores aliciados, ou seja, seduzidos pela falsa promessa de um bom emprego, são vítimas de fazendeiros que buscam baixos custos e lucros fáceis por meio da exploração da mão de obra escrava, se aproveitando da situação de vulnerabilidade dos mais pobres. O Brasil é referência mundial no combate contra o trabalho forçado e busca erradicar essa forma de trabalho.

Como dissemos, o trabalho escravo é uma forma degradante de trabalho na qual o trabalhador não tem garantida sua liberdade sendo, na maioria das vezes, escravizado pela servidão por dívida ilegalmente atribuída ao trabalhador, pelo isolamento geográfico que impede a fuga e pela constante ameaça a sua vida. Mas como o trabalho escravo acontece atualmente?

Os “gatos”, que são contratadores de mão de obra a serviço dos fazendeiros, aliciam os trabalhadores oferecendo uma oportunidade de serviço em fazendas, prometendo salário, alojamento e comida. Para convencer o trabalhador, oferecem o transporte até a fazenda e um “adiantamento” para a família. Os trabalhadores em busca de uma oportunidade de emprego e para garantir a sua sobrevivência e de sua família aceitam a proposta. Porém, quando chegam ao serviço o gato lhes informa que eles têm uma dívida, anotada em um caderno. Neste caderno são anotadas as dívidas com o adiantamento, o transporte e as despesas de alimentação até a fazenda. Também são anotadas as dívidas com os instrumentos que o trabalhador precisa para o trabalho, as despesas com moradia e alimentação. Assim, o trabalhador não pode se desligar devido à divida ilegalmente atribuída a ele e, caso tente fugir, é ameaçado podendo perder sua própria vida. Dessa forma, as dividas e as ameaças físicas tornam-se correntes e tiram a liberdade do trabalhador escravizado.

Como estes trabalhadores são libertos desta situação? Os chamados Grupos móveis de fiscalização, formados por auditores fiscais do trabalho, procuradores do trabalho e policiais, atuam fiscalizando as propriedades e apurando denúncias de trabalho escravo e, uma vez confirmada a situação de trabalho escravo, libertam os trabalhadores. Na maioria das vezes, os trabalhadores escravizados são encontrados vivendo em situações degradantes, morando em precários barracos de plástico, bebendo água envenenada ou doente e sem assistência médica.



Na zona rural, a pecuária é uma das principais atividades que utilizam trabalho escravo para tarefas como derrubada de mata para pastagem e retirada de plantas indesejáveis com uso de venenos. Este trabalho é feito sem equipamentos de segurança o que leva o trabalhador a ser vítima de graves acidentes de trabalho, como mutilação, feridas na pele ou intoxicação. Também há casos de trabalho escravo nas cidades, principalmente, nas oficinas de costura e canteiro de obras. O Tocantins e a região Nordeste, principalmente os estados do Maranhão e do Piauí, são grandes fornecedores de mão de obra escrava e o Pará é o principal utilizador destes trabalhadores escravizados. As principais vítimas do trabalho escravo são os homens na faixa etária dos 18 aos 40 anos. Na zona urbana, há um grande número de sul americanos, principalmente bolivianos, em situação de trabalho escravo, sobretudo nas oficinas de costura.

AULA 2 DE SOCIOLOGIA DO 2º ANO. 3º BIMESTRE. ENSINO MÉDIO



MERCADO DE TRABALHO E DESIGUALDADES

Vamos começar ouvindo uma musica da Elza Soares.

“A carne mais barata do mercado é a carne negra Que vai de graça pro presídio E para debaixo de plástico Que vai de graça pro subemprego E pros hospitais psiquiátricos...
A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que fez e faz história Segurando esse país no braço ...”
A carne – Elza Soares

Por que será que a cantora Elza Soares afirma em sua música “A carne” que “a carne mais barata do mercado é a carne negra”? Nesta aula vamos refletir juntos sobre como as desigualdades sociais se manifestam também no mercado de trabalho.
Estudos sobre o mercado de trabalho no Brasil apontam que a maioria que trabalha informalmente é pobre e, no nosso país, a parcela mais pobre da população é significativamente constituída por mulheres e negros. Dessa forma as mulheres e os negros são as pessoas mais vulneráveis no mercado de trabalho. Você deve estar se perguntando: por que há essa desigualdade no nosso país?

Para começarmos a compreender essa desigualdade é preciso pensar no papel que, em nossa sociedade, é atribuído a mulher e que chamamos de gênero. Culturalmente atribuímos à mulher o cuidado com a casa e com os filhos. Esse papel social culturalmente construído influencia no mercado de trabalho já que estudiosos observam que as mulheres concentram-se nas ocupações relacionadas ao cuidado, ao comércio e na prestação de serviços pessoais como, por exemplo, o serviço doméstico, a enfermagem, a assistência social e o ensino primário. Em nossa sociedade essas ocupações têm baixo prestígio social e remuneração.


O mercado de trabalho brasileiro também é marcado pela desigualdade racial. Estudos apontam que os trabalhos mais desvalorizados socialmente e com os salários mais baixos são ocupados em grande parte por negros. As mulheres negras sofrem ainda dupla discriminação: de raça e de gênero. Isso acontece graças a nossa herança histórica da colonização e da escravidão quando os negros não tinham os direitos de cidadania garantidos, sobretudo o direito a educação. Essa herança produz e reproduz desigualdades até os dias de hoje.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

TEXTO OBRIGATÓRIO PARA A ATIVIDADE 3 DE SOCIOLOGIA - 2º ANO - ENSINO MÉDIO

Trabalho escravo no século XXI?

Embora a abolição da escravatura tenha acontecido no Brasil em 1888, ou seja, no século XIX, hoje, em pleno século XXI, podemos falar que ainda existe trabalho escravo em nosso país. Porém, a escravidão contemporânea tem algumas características diferentes da escravidão anterior. Nesta aula, vamos refletir juntos sobre o que é e como acontece o trabalho escravo no século XXI.
Atualmente, considera-se trabalho escravo a forma degradante de trabalho na qual o trabalhador não tem a garantia de sua liberdade. Na zona rural, na qual se encontra a maior incidência de trabalho escravo, os trabalhadores aliciados, ou seja, seduzidos pela falsa promessa de um bom emprego, são vítimas de fazendeiros que buscam baixos custos e lucros fáceis por meio da exploração da mão de obra escrava, se aproveitando da situação de vulnerabilidade dos mais pobres. O Brasil é referência mundial no combate contra o trabalho forçado e busca erradicar essa forma de trabalho.
Como dissemos, o trabalho escravo é uma forma degradante de trabalho na qual o trabalhador não tem garantida sua liberdade sendo, na maioria das vezes, escravizado pela servidão por dívida ilegalmente atribuída ao trabalhador, pelo isolamento geográfico que impede a fuga e pela constante ameaça a sua vida. Mas como o trabalho escravo acontece atualmente?
Os “gatos”, que são contratadores de mão de obra a serviço dos fazendeiros, aliciam os trabalhadores oferecendo uma oportunidade de serviço em fazendas, prometendo salário, alojamento e comida. Para convencer o trabalhador, oferecem o transporte até a fazenda e um “adiantamento” para a família. Os trabalhadores em busca de uma oportunidade de emprego e para garantir a sua sobrevivência e de sua família aceitam a proposta. Porém, quando chegam ao serviço o gato lhes informa que eles têm uma dívida, anotada em um caderno. Neste caderno são anotadas as dívidas com o adiantamento, o transporte e as despesas de alimentação até a fazenda. Também são anotadas as dívidas com os instrumentos que o trabalhador precisa para o trabalho, as despesas com moradia e alimentação. Assim, o trabalhador não pode se desligar devido à divida ilegalmente atribuída a ele e, caso tente fugir, é ameaçado podendo perder sua própria vida. Dessa forma, as dividas e as ameaças físicas tornam-se correntes e tiram a liberdade do trabalhador escravizado.
Como estes trabalhadores são libertos desta situação? Os chamados Grupos móveis de fiscalização, formados por auditores fiscais do trabalho, procuradores do trabalho e policiais, atuam fiscalizando as propriedades e apurando denúncias de trabalho escravo e, uma vez confirmada a situação de trabalho escravo, libertam os trabalhadores. Na maioria das vezes, os trabalhadores escravizados são encontrados vivendo em situações degradantes, morando em precários barracos de plástico, bebendo água envenenada ou doente e sem assistência médica.

Na zona rural, a pecuária é uma das principais atividades que utilizam trabalho escravo para tarefas como derrubada de mata para pastagem e retirada de plantas indesejáveis com uso de venenos. Este trabalho é feito sem equipamentos de segurança o que leva o trabalhador a ser vítima de graves acidentes de trabalho, como mutilação, feridas na pele ou intoxicação. Também há casos de trabalho escravo nas cidades, principalmente, nas oficinas de costura e canteiro de obras. O Tocantins e a região Nordeste, principalmente os estados do Maranhão e do Piauí, são grandes fornecedores de mão de obra escrava e o Pará é o principal utilizador destes trabalhadores escravizados. As principais vítimas do trabalho escravo são os homens na faixa etária dos 18 aos 40 anos. Na zona urbana, há um grande número de sul americanos, principalmente bolivianos, em situação de trabalho escravo, sobretudo nas oficinas de costura.

sábado, 15 de agosto de 2015

DIVULGANDO APLICATIVO

SOCIOLOGIA – 1º, 2º e 3º ANO Ensino Médio 

RUDOLF ROTCHILD

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QUEM SOU EU?

Mar Portuguez

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa, Mensagem


Este poema “Mar portuquez” de Fernando Pessoa me persegue e traduz a minha trajetória profissional e acadêmica.
Comecei na educação num impulso de querer dar certo, de querer cruzar “os mares” que antes não tinha nem me dado conta que existia. Quer ser artista? Quer ser educador? Uma oportunidade me foi ofertada em agosto de 1993. Recém formado em técnico de edificações, via no Projeto da Animação Cultural do professor Darcy Ribeiro uma oportunidade de conhecer este “mar” nunca antes navegado.

“O mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal”.

Fui conhecendo uma realidade que ainda me desafia e cansa. Trabalhar em escolas públicas de periferia, é como vê a desigualdade social de perto sem nenhum mascaramento midiático. É assustador e desafiante ao mesmo tempo. E eu ainda não desisti. Estou aqui neste curso buscando novos atributos que possa me reinventar agora como artista-educador. Será que é isso que eu sou? Considero que no início desta trajetória pude me reinventar durante 18 anos na Animação Cultural, sendo um competente animador cultural. Realizei tantas coisas: exposições, festas, espetáculos, musicais... Ultrapassei tantos obstáculos que acabei buscando a lapidação do meu ser, do meu artesão intelectual em cidades históricas do nosso Brasil Cultural como Ouro Preto. E foi nas ladeiras da rua da direita que encontrei uma vontade de ir além. De voltar a estudar. E depois de tantas oficinas e cursos na área de teatro, literatura, artes plásticas... Fazer um curso universitário naquele momento se transformava na minha grande meta. Os Festivais de Inverno de Ouro Preto foram uma escola sem paredes, sem carteiras, sem bancos. Uma escola que não cabia em nenhum edifício. Se os homens soubessem da importância que tem a experiência, o lado lúdico da vida. Empirismo sim, por que não? Precisamos humanizar a intelectualidade.
De volta para a realidade mais dura, sóbria e densa, enfrentei as preparações “vestibulescas” e depois de várias tentativas não bem sucedidas, acabei me encontrando intelectualmente no curso de Ciências Sociais. O ano era 2000, o ano que tudo acabaria em cinzas. Para mim foi o ano do recomeço. A vida acadêmica. Num processo de reconstrução que durou cinco anos e meio, fiz do meu trabalho como Animador Cultural uma porta para o universo das discussões teóricas. A minha monografia enfatizava a vida de um aluno que tinha experienciado o Movimento dos Sem-Terra. Foi incrível ser um observador-participante. Tomei banho de rio, caminhei por entre as matas e transformei tudo em pesquisa. O encanto soava os meus ouvidos:

Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.”

Depois de (dês)formado, a minha pesquisa que virou monografia de final de curso me levou para um Congresso na Argentina, na província de Salta. Mais uma experiência que não consigo traduzir em palavras. Apresentar a minha pesquisa em terras “hermanas”, me deu um motivo maior. Na ânsia de  ser um artista-educador mais uma vez, fui almejando a possibilidade de ser um educador da sociologia através da parceria que a Universidade Cândido Mendes com o Instituto A vez do Mestre estava dando para os recém formados que não tinham a devida formação pedagógica.
 Encarei um ano e alguns meses. Fui bem sucedido. Logo já estava atuando como professor de sociologia em uma escola privada da cidade de Campos dos Goytacazes.

Quem quer passar além do Bojador, Tem que passar além da dor.”

Assim fui adiante e sem pestanejar acabei sendo professor da escola de ensino fundamental que tinha me ajudado naquela formação de sonhador. Refiro-me ao Instituto de Educação Professor Aldo Muylaert.  Nos momentos que os meninos mais severos queriam me bater por ser diferente, os professores dessa escola foram depositando em mim a crença e a esperança de dias melhores. Não abri mão desses ensinamentos. Hoje estou em Resende, trabalhando como educador-artista da SEEDUC-RJ em duas matrículas. Hoje estou mais uma vez me reinventando e me propondo a não parar no meio do caminho. A vida vale à pena. Busco nesse curso de pós-graduação uma continuidade da minha formação.
Bom, preferi me apresentar desta forma, pois o mundo está muito irracional. A razão também se apresenta como poesia. Queria ir além do currículo formal. Por que não podemos nos apresentar desta forma? Quero fugir dos padrões. E para que tantos padrões? Não estamos aqui para reinventá-los? Não quero desistir de ser um artista-educador, assim como Fernando Pessoa não desistiu de ser um poeta navegador.

 Insisto em dizer que nessa vida de busca :
Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.”


Rudolf Rotchild Costa Cavalcante

DADOS SOBRE A DESIGUALDADE SOCIAL E O TRABALHO INFORMAL