quinta-feira, 6 de agosto de 2015

TEXTO PARA A ATIVIDADE II DO 2º ANO – SOCIOLOGIA – ENSINO MÉDIO

Seminário aponta persistência de desigualdades raciais no mercado de trabalho
Data: 30/04/2013

Ministra Luiza Bairros afirmou que o Brasil está pagando um preço caro por ter deixado os negros fora do processo de desenvolvimento “Melhoram os salários, mas não diminuem as desigualdades porque temos dificuldades de implementar políticas para negros”. A conclusão é da professora doutora em Psicologia, Maria Aparecida da Silva Bento, palestrante da primeira mesa do Seminário “Trabalho e desenvolvimento: capacitação técnica, emprego e população negra”, realizado em Recife-PE, na última sexta-feira, 26/04.
A persistência das desigualdades entre homens e mulheres e entre trabalhadores negros e brancos deu a tônica do seminário promovido pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) na capital pernambucana. Ao apresentar dados de 2011 da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), Jackeline Teixeira Natal disse que as mulheres negras representam o segmento com maior dificuldade de acessar ao mercado de trabalho no Brasil. De acordo com a técnica do DIEESE - Divisão Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, quando a taxa de desemprego geral era de 12% a 13%, entre as mulheres negras esse indicador era de 18%.

“De cada cinco mulheres negras no mercado, uma está no trabalho doméstico e o perfil dessa ocupação no Brasil acusa 56 horas semanais para as trabalhadoras com carteira assinada, uma carga bem superior a dos demais trabalhadores”, afirmou a técnica ao apresentar os dados da PED relativos à População em Idade Ativa (PIA), das regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Distrito Federal, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo.
Para Jackeline, a remuneração reflete as relações de trabalho e “a prova disso é que em São Paulo, um dos mercados mais estruturados do país, a mulher negra ganha 40% em relação ao salário do homem branco e o homem negro 60%”. No que diz respeito à formação de nível superior, que conforme a pesquisadora facilita o acesso ao mercado de trabalho, os indicadores paulistas são de 24,4% para trabalhadores não negros e de 8,4 % para negros. Na região metropolitana da capital baiana, onde a presença de afrodescendentes é predominante, a diferença é mais significativa, sendo de 12,5% para os trabalhadores negros com nível superior e de 30% para não negros.








Texto adaptado. Disponível em http://www.seppir.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2013/04/seminario-aponta-persistencia-de-desigualdades-raciais-no-mercado-de-trabalho Acesso em 17 de agosto de 2013.

TEXTO PARA A ATIVIDADE I – SOCIOLOGIA – 2º ANO – ENSINO MÉDIO

Estudo mostra que quem deixa o emprego formal em busca de autonomia acaba tendo que trabalhar mais. 28 de maio de 2013 | 2h 06
MÁRCIA DE CHIARA - O Estado de S.Paulo

Quatro em cada dez brasileiros que estão hoje no mercado informal de trabalho como prestadores de serviços ou vendedores de produtos foram motivados a deixar o emprego formal em busca de autonomia e de flexibilidade no dia a dia. Mas, ao daremesse passo, eles acabam cumprindo uma jornada mais extensa do que teriam numa empresa, com a obrigatoriedade de bater o cartão de ponto.
Isso é o que mostra um estudo feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) para traçar o perfil do trabalhador informal. De acordo com a pesquisa, que consultou 612 proprietários de estabelecimentos e profissionais autônomos dos setores de comércio e serviços de todas as capitais, sem inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica e trabalhadores informais, 90% deles trabalham cerca de oito horas por dia, de segunda a sábado. E 27% informaram que têm jornada aos domingos.
"O resultado da pesquisa mostra um paradoxo: a pessoa vai para informalidade porque não quer depender de patrão, mas trabalha mais horas e fica vulnerável porque não está coberta pela lei", afirma o gerente financeiro do SPC-Brasil, Flávio Borges. A pesquisa mostra que 72% dos informais não pagam previdência (INSS).
A maioria dos entrevistados (78%) também já teve trabalho com carteira assinada antes de ingressar na informalidade. Esse é o caso de Valdemir Trivelato, de 51 anos, dos quais 20 trabalhando como ambulante. Ex-bancário, o ex-analista de crédito que cursou até o segundo ano da faculdade de administração de empresas, conta que foi parar na informalidade por "falta de opção". Na época, perdeu o emprego num corte que houve no banco. De lá para cá, se dedicou à venda de itens ligados à eletrônica. No começo, eram rádios. Agora, são capas de celulares e acessórios.
"Hoje trabalho seis dias por semana, das 7h às 21h. Alguns dias vou às 4h da manhã ao Brás para comprar as mercadorias", conta o ambulante. Quando estava empregado no banco, cumpria uma jornada diária bem menor, de seis horas.
Com renda média mensal de R$ 1.300, Trivelato conta que desistiu, mais recentemente, de buscar uma oportunidade de trabalho no mercado formal por causa da idade, apesar de a economia estar hoje praticamente em pleno emprego.
Mas, na análise de Borges, do SPC-Brasil, essa contradição entre um grande contingente de informais e a falta de mão de obra para vagas formais é aparente. Na verdade, diz ele, os trabalhadores que estão na informalidade têm baixa qualificação e não teriam condições de preencher parte dos empregos que sobram nas empresas. Segundo a pesquisa, 88% dos entrevistados têm, no máximo, ensino médio.
A maioria dos informais é mulher (50,2%), e o setor de comércio, com 59%, prevalece sobre o de serviços (41%). Mas o tíquete médio dos serviços é de R$ 69,28, bem superior ao do comércio, de R$ 45.
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Texto adaptado. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,trabalho-informal-tem-jornada-superior-a-48-horas-semanais-,1036333,0.htm Acesso 17 de agosto de 2013.

O TRABALHO INFORMAL NO BRASIL

O trabalho informal no Brasil

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

PROJETO CINE DEBATE - VÍDEOS


PROJETO CINE DEBATE - SOCIOLOGIA 3º ANO

PROJETO CINE DEBATE – SOCIOLOGIA 3º ANO

Calendário de Exibições dos curtas-metragens


Dia                                              Título

10/08                                       Projeto 68

Gênero: Documentário 
Diretor: 
Julia Mariano 
Duração: 13 min     Ano: 2008     Formato: 35mm 
País: Brasil     Local de Produção: RJ 
Cor: Colorido 
Sinopse: Rio de Janeiro, 1968. O movimento estudantil comanda as maiores manifestações contra a ditadura, num crescente desde a morte do estudante Edson Luís até o clímax na Passeata dos Cem Mil. Com imagens realizadas por Glauber Rocha, Silvio Da-rin, Arnaldo Jabour e fotografias de Pedro de Moraes e Evandro Teixeira, Projeto 68 remonta em imagens e sons essa trajetória. 


17/08                                        Ser tão cinzento

Gênero: Documentário 
Subgênero: 
Drama 
Diretor: 
Henrique Dantas 
Duração: 25 min     Ano: 2011     Formato: Digital 
País: Brasil     Local de Produção: BA 
Cor: P&B 
Sinopse: Recriação da memória do filme "Manhã cinzenta", do cineasta autodidata Olney São Paulo, uma das mais belas e contundentes obras cinematográficas produzidas sobre o período da Ditadura Militar. 


24/08                                       As várias vidas de Joana  

Gênero: Documentário 
Subgênero: 
Drama 
Diretor: 
Abelardo de Carvalho, Cavi Borges 
Duração: 10 min     Ano: 2009     Formato: DVCam 
País: Brasil     Local de Produção: RJ 
Cor: Colorido 
Sinopse: Menina cresce no interior alheia aos principais acontecimentos do país. Aos dezoito anos desembarca no Rio de Janeiro sem imaginar o que a esperava pela frente. A data? Primeiro de abril de 1964. A partir de então, Joana e o Brasil nunca mais foram os mesmos. 


31/08                                      Se eu demorar uns meses

Gênero: Documentário 
Subgênero: 
Grande Prêmio 2015 
Diretor: 
Giovanni Francischelli, Lívia Perez 
Elenco: 
Juan Martyn, Neusa Velasco 
Duração: 15 min     Ano: 2013     Formato: HD 
País: Brasil     Local de Produção: SP 
Cor: Colorido 
Sinopse: Documentário poético sobre o ambiente prisional do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), uma força policial especializada em crimes políticos. O filme é inteiramente baseado em relatos de presos políticos opositores ao regime militar brasileiro. Gravado no Memorial da Resistência, edifício histórico que foi sede de uma das polícias políticas mais truculentas do país, o filme traz a memória do período. 



OBS: Os grupos podem assistir antes da exibição oficial para construir melhor os argumentos para o debate.  Acessem http://portacurtas.org.br canal Projeto Cine Debate ou sociologiaearte.blogspot.com.br

quarta-feira, 29 de julho de 2015

ESCOLA DIFERENTE: UMA UTOPIA.

Era o segundo bimestre do Colégio Estadual Pedro Braile Neto em Resende/RJ e no processo de planejamento das aulas surgiram algumas indagações importantes para uma reflexão sociológica sobre a educação. Qual é a escola que queremos? Será que os nossos alunos têm uma opinião formada sobre o assunto? Será que é importante darmos voz ativa para os alunos falarem sobre a escola dentro de uma perspectiva política interna e externa?
Imbuído de uma razão transformadora, planejei um bimestre diferente de todos os outros onde essas perguntas pudessem ser respondidas, a princípio sem muito rigor científico, visto que os nossos alunos do ensino médio atual ainda não têm, devido a sua formação, subsídios suficientes para argumentar com autores que são muito importantes para a construção de uma argumentação mais sóbria.  A parte teórica seria trabalhada após a experiência prática que seria proposta.
A indicação do currículo mínimo proposto pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro para o 2º bimestre era trabalharmos o poder na política e suas expressões na sociedade moderna. Então, por que não desenvolver uma discussão sobre a educação dentro da perspectiva política do poder dando oportunidade para os alunos responderem as indagações citadas acima?
Lendo o texto sugerido pelo professor Rogério Gonçalves de Castro, da disciplina Sociologia da Educação da pós-graduação “Sociologia da Educação e Cultura” da AVM/Faculdade Integrada, “A sociedade, o indivíduo e a educação que temos e queremos” de Rodiney Marcelo Braga dos Santos, visualizei que a minha experiência em sala de aula teve forte relação com a abordagem provocada. 
Inicialmente foi proposto um manifesto que revelasse as ponderações e reflexões dos alunos do 3º ano do Ensino Médio a respeito da educação. A bibliografia sugerida para o debate foi o livro adotado para o ano letivo 2015 (Sociologia – Ensino Médio de Silvia Maria de Araújo, Maria Aparecida Bridi e Benilde Lenzi Motim) especificamente o capítulo 9 que tinha como objetivo a educação, escola e transformação social. Cada grupo organizado na turma produziu um manifesto sobre a educação do ponto de vista interno e externo que pudesse expressar o debate travado pelas questões sugeridas. Como segundo etapa desenvolveram frases de impacto que pudessem dar visibilidade as suas idéias através de cartazes expostos em painéis da escola. Assim puderam estabelecer também uma relação de integração e interação com outros alunos da escola que em pequenos papéis deixavam suas opiniões em uma caixinha.
A metodologia pensada tinha como principal objetivo vivenciar a discussão para depois reportarmos a teoria proposta no livro. Antes disso, filmes e vídeos de escolas “proibidas”, ou seja, escolas que estão propondo metodologias de ensino-aprendizagem diferente foram exibidas com intuito de formalizarmos uma crítica sobre o assunto. Essas escolas em “questão” têm um forte respaldo na sociedade em que vivemos, mas que ainda são caracterizadas como uma utopia. Vídeos da Escola da Ponte, do Projeto Âncora, documentário sobre “Maio de 68” e filme como “Escritores da Liberdade” foram ótimos exemplos de caminhos que contrariam a escola que temos que ainda reflete uma metodologia educacional da idade média em conflito com a metodologia educacional da idade moderna e industrializada.
Em nosso aporte teórico observarmos que Emile Durkheim foi o primeiro sociólogo a pensar a educação como um processo socializador que expressa a sua teoria do fato social, objeto de estudo da sociologia. Importante para o entendimento inicial da relação educação x sociedade. Adiante vimos que o filósofo Edgar Morin nos identificou um problema crucial no processo educacional: o que realmente significa conhecimento? Compreendemos que a preocupação da escola promover inclusão social e justiça, passa por uma compreensão mais ampla de conhecimento, um processo de imprinting cultural “no sentido de injuções da família, da escola, do ambiente em que vivemos recebidas e processadas por nós.” (226). Neste ínterim não poderíamos deixar de citar as provocações do sociólogo francês Pierre Bourdieu que nos chama a atenção que a educação no modelo atual valoriza os princípios e os padrões culturais dominantes que reforça as desigualdades sociais e enfatiza a cultura legítima.
            Após o debate teórico, os alunos produziram questões de múltipla escolha que expressassem suas indagações e ponderações a respeito do capítulo estudado no qual foram concretizados através de um simulado aplicado nas turmas envolvidas. A conclusão desse trabalho não deve um ponto final. Percebemos que a educação que temos e que recebemos ainda esta atrelada a um modelo tecnicista, industrial e convencional. O potencial transformador da escola ainda não são visualizados em sua grande maioria, contudo pudemos experienciar um pouco de ser a própria escola, onde a voz ativa dos estudantes é elemento constructo importante para uma sociedade mais justa e solidária.




Rudolf Rotchild Costa Cavalcante, professor de Sociologia da SEEDUC-RJ.