terça-feira, 23 de outubro de 2018

PRÉ-SIMULADO DE FILOSOFIA - 2º ANO - CEPBN


Prezados alunos.
Disponibilizo o pré-simulado de filosofia para possa servir como um "ensaio" para o simulado da escola que será realizado na próxima sexta-feira.
Recomendo como atividade do 4º bimestre para os alunos que ainda não realizaram em sala de aula. Favor entregar o cartão-resposta na próxima aula. 

1.    "O imperativo categórico é, portanto só um único, que é este: Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal."
(KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. de Paulo Quintela. Lisboa: Edições 70, 1995. p. 59.)
 Segundo essa formulação do imperativo categórico por Kant, uma ação é considerada ética quando:
 a) Privilegia os interesses particulares em detrimento de leis que valham universal e necessariamente.
 b) Ajusta os interesses egoístas de uns ao egoísmo dos outros, satisfazendo as exigências individuais de prazer e         felicidade.
 c) É determinada pela lei da natureza, que tem como fundamento o princípio de auto-conservação.
 d) Está subordinada à vontade de Deus, que preestabelece o caminho seguro para a ação humana.
 e) A máxima que rege a ação pode ser universalizada, ou seja, quando a ação pode ser praticada por todos, sem prejuízo da humanidade.

2. Ser caritativo quando se pode sê-lo é um dever, e há além disso muitas almas de disposição tão compassiva que, mesmo sem nenhum outro motivo de vaidade ou interesse, acham íntimo prazer em espalhar alegria à sua volta e se podem alegrar com o contentamento dos outros, enquanto este é obra sua. Eu afirmo porém que neste caso uma tal acção, por conforme ao dever, por amável que ela seja, não tem contudo nenhum verdadeiro valor moral, mas vai emparelhar com outras inclinações, por exemplo o amor das honras que, quando por feliz acaso topa aquilo que efectivamente é de interesse geral e conforme ao dever, é consequentemente honroso e merece louvor e estímulo, mas não estima; pois à sua máxima falta o conteúdo moral que manda que tais acções se pratiquem, não por inclinação, mas por dever.
(KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. de Paulo Quintela. São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 113.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre dever em Kant, é correto afirmar:
a)      Ser compassivo é o que determina que uma ação tenha valor moral.
b)      Numa ação por dever, as inclinações estão subordinadas ao princípio moral.
c)      A ação por dever é determinada pela simpatia para com os seres humanos.
d)      O valor moral de uma ação é determinado pela promoção da felicidade humana.
e)      É no propósito visado que uma ação praticada por dever tem seu valor moral.

3. Na Crítica da razão pura, Kant vincula o sistema da moralidade à felicidade. Assinale a alternativa que explica no que consiste a relação moralidade — subjetividade.
a) A esperança de ser feliz e a aspiração por tornar-se feliz podem ser conhecidas pela razão prática, desde que o fundamento da ação e a norma da conduta sejam a máxima do “não faça aos outros aquilo que não queres que te façam”.
b) A convicção da felicidade humana decorre da certeza de que todos os entes racionais comportam-se com a mais rigorosa conformidade à lei moral, de maneira que cada um age orientado pela sua vontade, ou seja, pela razão prática do arbítrio individual.
c) Quando a liberdade é dirigida e restringida pelas leis morais, é possível pensar na felicidade universal, pois a observância dos princípios morais pode proporcionar não só o bem estar para si, como também ser o responsável pelo bem estar dos outros.
d) A felicidade implica na transcendência do mundo moral, pois somente na esfera sensível é possível o conhecimento pleno das ações humanas, já que somente nesse mundo sensível é possível a conexão entre moralidade e felicidade.

4. “Quando a vontade é autônoma, ela pode ser vista como outorgando a si mesma a lei, pois, querendo o imperativo categórico, ela é puramente racional e não dependente de qualquer desejo ou inclinação exterior à razão. [...] Na medida em que sou autônomo, legislo para mim mesmo exatamente a mesma lei que todo outro ser racional autônomo legisla para si.” (WALKER, Ralph. Kant: Kant e a lei moral. Trad. de Oswaldo Giacóia Júnior. São Paulo: Unesp, 1999. p. 41.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre autonomia em Kant, considere as seguintes afirmativas:
I.- A vontade autônoma, ao seguir sua própria lei, não segue a razão pura prática.
II-. Segundo o princípio da autonomia, as máximas escolhidas devem ser apenas aquelas que se podem querer como lei universal.
III-. Seguir os seus próprios desejos e paixões é agir de acordo com o imperativo hipotético.
IV-. A autonomia compreende toda escolha racional, inclusive a escolha dos meios para atingir o objeto do desejo.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e IV.
c) III e IV.
d) II e III.
e) II, III e IV.

5. (UEL) "Desde suas origens entre os filósofos da antiga Grécia, a Ética é um tipo de saber normativo, isto é, um saber que pretende orientar as ações dos seres humanos"
Fonte: CORTINA, A.; MARTÍNEZ, E. Ética. Tradução de Silvana Cobucci Leite. São Paulo: Edições Loyola, 2000, p. 9.
Com base no texto e na compreensão da ética aristotélica, é correto afirmar que a ética:
A. Orienta-se pelo procedimento formal de regras universalizáveis, como meio de verificar a correção ética das normas de ação.
B. Adota a situação ideal de fala como condição para a fixação de princípios éticos básicos, a partir da negociação discursiva de regras a serem seguidas pelos envolvidos.
C. Pauta-se pela teleologia, indicando que o bem supremo do homem consiste em atividades que lhe sejam peculiares, buscando a sua realização de maneira excelente.
D. Contempla o hedonismo, indicando que o bem supremo a ser alcançado pelo homem reside na felicidade e esta consiste na realização plena dos prazeres.
E. Baseada no emotivismo, busca justificar a atitude ou o juízo ético mediante o recurso dos próprios sentimentos dos agentes, de forma a influir nas demais pessoas.

6. (UEL) Ora, nós chamamos aquilo que deve ser buscado por si mesmo mais absoluto do que aquilo que merece ser buscado com vistas em outra coisa, e aquilo que nunca é desejável no interesse de outra coisa mais absoluto do que as coisas desejáveis tanto em si mesmas como no interesse de uma terceira; por isso chamamos de absoluto e incondicional aquilo que é sempre desejável em si mesmo e nunca no interesse de outra coisa".
Fonte: ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim. São Paulo: Nova Cultural, 1987, 1097b, p. 15.
De acordo com o texto e os conhecimentos sobre a ética de Aristóteles, assinale a alternativa correta:
a) Segundo Aristóteles, para sermos felizes é suficiente sermos virtuosos.
b) Para Aristóteles, o prazer não é um bem desejado por si mesmo, tampouco é um bem desejado no interesse de outra coisa.
c) Para Aristóteles, as virtudes não contam entre os bens desejados por si mesmos.
d) A felicidade é, para Aristóteles, sempre desejável em si mesma e nunca no interesse de outra coisa.
e) De acordo com Aristóteles, para sermos felizes não é necessário sermos virtuosos.

7. "E justiça é aquilo em virtude do qual se diz que o homem justo pratica, por escolha própria, o que é justo, e que distribui, seja entre si mesmo e um outro, seja entre dois outros, não de maneira a dar mais do que convém a si mesmo e menos ao seu próximo (e inversamente no relativo ao que não convém), mas de maneira a dar o que é igual de acordo com a proporção; e da mesma forma quando se trata de distribuir entre duas outras pessoas".
Fonte: ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim da versão inglesa de W. D. Ross. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p. 89.
De acordo com o texto e os conhecimentos sobre a justiça em Aristóteles, é correto afirmar:
a) É possível que um homem aja injustamente sem ser injusto.
b) A justiça é uma virtude que não pode ser considerada um meio-termo.
c) A justiça corretiva deve ser feita de acordo com o mérito.
d) Os partidários da democracia identificam o mérito com a excelência moral .
e) Os partidários da aristocracia identificam o mérito com a riqueza.

8. Aristóteles, ao observar que não existe um consenso a respeito do conceito de felicidade, identifica três modos de vida. Cada modo de vida tem uma percepção distinta a respeito do que é a felicidade. Quais são eles?
a) Vida ética, Vida política, Vida prática;
b) Vida ética, Vida ativa; Vida contemplativa;
c) Vida política; Vida guiada pelo prazer; Vida contemplativa;
d) Nenhuma das alternativas anteriores.

9. A respeito da ética aristotélica, assinale a opção correta.
a) Para Aristóteles, é suficiente que o homem busque o bem de modo universal, sem se preocupar com o modo como o bem pode se dar na viabilidade da ação, que acontece a cada vez na particularidade de cada situação.
b) Em uma perspectiva aristotélica, a virtude da prudência é bastante significativa para reger a vida prática do homem, pois ela possibilita descobrir o que pode conduzir o homem à felicidade. É ela que decide sobre o que é ser valoroso e justo, tanto no nível individual quanto no comunitário-social-político.
c) Para Aristóteles, agir é mais importante que pensar. A vida prática, política, vale mais que a vida teorética, dedicada ao pensamento, à busca da verdade por causa da própria verdade.
d) Na concepção de Aristóteles, a razão tem um significado apenas teorético, ela não tem um papel diretivo na vida prática do homem.
e) Na ética aristotélica, as paixões são necessariamente más e, para o homem conduzir uma vida racional, ele deve anular a força das paixões em sua vida.

10. A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem estar separados como na inscrição existente em Delfos “das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém a mais doce é ter o que amamos”. Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade.
ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Cia. das Letras, 2010.
Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica como:
A) busca por bens materiais e títulos de nobreza.
B) plenitude espiritual e ascese pessoal.
C) finalidade das ações e condutas humanas.
D) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas.
E) expressão do sucesso individual e reconhecimento público.



domingo, 14 de outubro de 2018

O HOMEM NOVO: UM IDIOTA.

A idiotia interior de todos nós


Teixeira Coelho
especial para a Folha


A televisão é a imagem da besta." Em grandes letras brancas sobre fundo negro é isso que se lê em outdoors espalhados ao longo da marginal Tietê, em São Paulo. Outros painéis do mesmo tipo reforçam a mensagem que alguma seita religiosa quer imprimir nos olhos e mentes dos que passam por essa via fétida e deprimente. Numa noite de outono, sob densa poluição, o cenário que ajudam a criar é de apocalipse, quase. Tentando sair da cidade ou a ela retornando como um condenado, é grande a tentação de concordar com essa seita.

Mas como é uma seita a dizê-lo, torna-se inevitável pensar duas vezes e procurar na TV por aquilo que desmentirá de algum modo essa pregação visual, no limite equivocada e enganosa.

E é essa mesma a primeira reação diante do livro de Sartori, "Homo Videns": desconfiar do que diz. Isso porque logo de início o autor diz ser sua intenção "assustar bastante os pais mostrando-lhes o que poderá acontecer à sua criança televisiva", quer dizer, como se verá, depois, transformar-se num imbecil. É preciso sempre desconfiar de um livro que se propõe metas desse tipo, armadas sobre uma pedagogia da negação e, de resto, nas circunstâncias atuais, inúteis.


O autor de fato vai querer assustar os pais e nós todos com aquilo que tantos outros já nos disseram: que a hegemonia da imagem abole o pensamento lógico-criativo, que a televisão é agora o grande eleitor ao tudo manipular, que a democracia definha sob a TV e a internet e que esse abominável "Homo videns" é a antítese do fantástico Homo sapiens. Essas idéias não são novas nem são aqui tratadas de modo inovador. E diante delas o leitor, como ao deparar-se com as mudas pregações da marginal, acaba oscilando entre a concordância com a análise do autor e a anotação dos tantos pontos em que esse autor derrapa no "apocalipsismo" tradicional diante da TV.

Em suma, Sartori desconfia da imagem, que para ele muda a natureza mesma do Homo sapiens ao destruir sua capacidade de abstração. As palavras escritas levariam à abstração, e a imagem, à redução e à extinção do pensamento. O velho Homo sapiens trabalharia com concepções abstratas próprias do mundo da inteligência, e o "Homo videns" ficaria com as coisas concretas do mundo sensível. Sartori faz uma distinção absoluta entre a percepção do mundo pelos sentidos e a percepção pelo intelecto para privilegiar este sobre aquele, como na mais arcaica filosofia.

É redutor demais. Ele parece não se dar conta de nada do que aconteceu com a arte nos últimos 500 anos e com o cinema de arte nos últimos 70 ou 80, para ficar com esses dois casos.

E dá um peso excessivo à TV no jogo da política. A TV italiana talvez tenha elegido Berlusconi, assim como a brasileira ajudou a eleger Collor. Mas George W. Bush, para ganhar, teve de contar com a "ajuda" dos organizadores da eleição na Flórida e dos juízes da Suprema Corte norte-americana.

A TV nem sempre é decisiva ou relevante, como se vê. E, depois, não há por que investir apenas contra a TV: os jornais, que usam as sacrossantas palavras escritas, contribuem fortemente para a manipulação geral.

Aqui no Brasil deram enorme destaque às declarações de um senador que se cassou para não ser cassado por quebra do decoro (é o mínimo que se pode dizer) e que em seguida saiu dando lições de moral a todo mundo. Os jornais dizem que isso é informação. No mínimo, é o mesmo pós-pensamento a que Sartori alude. A manipulação política e a corrosão da democracia e do pensamento dependem de um nível bem mais abaixo e bem mais amplo.

Há, de todo modo, alguns pontos interessantes neste livro. Um deles é a relativa radicalidade de que ele se reveste, em suas últimas páginas, ao deixar claro que por pós-pensamento o que o autor entende é mesmo a imbecilidade, assim como a expressão "Homo videns" é, para ele, apenas um eufemismo para "homem idiota". De fato, talvez a condescendência com as massas telespectadoras e a tentativa de resgatá-las de sua posição de cúmplices gozosos da TV, jogando a responsabilidade por tudo isso no sistema, tenha impedido que se tornasse visível mais cedo a imagem de uma sociedade de idiotas que se espalha tanto entre os que estão do lado de cá do tubo quanto do lado de lá, gerando a programação dos canais. Costumava-se escrever que não se devia dizer "comunicação de massa" e, sim, "comunicação para a massa", porque não seria a massa que faria a comunicação para si mesma: essa comunicação seria feita por outros estamentos ou classes da sociedade, visando à massa apenas para explorá-la e manipulá-la. Hoje, porém, já está claro que as massas elas mesmas, por meio de seus "intelectuais orgânicos", tomaram o controle da produção na TV e fazem programas para si mesmas e à sua própria imagem. Nunca isso se tornou tão visível quanto após o aparecimento da TV a cabo no Brasil. A TV aberta virou predominantemente uma grande latrina enquanto a TV a cabo é apenas um pouco menos ruim.

Portanto, falar em idiotia talvez seja mesmo correto. Hans Magnus Enzensberger usou um outro eufemismo para designar o homem pós-TV: analfabeto secundário. É a pessoa que consegue ler um jornal, sacar dinheiro de um caixa eletrônico, mas é incapaz de interpretar por si o cenário político ou cultural que o cerca. Analfabeto secundário é, hoje, uma forma polida demais. Idiota parece ser o termo. Que o público se enterneça com o idiota Forrest Gump é o sinal mais claro não apenas da existência da idiotia, mas também de seu culto. Idiotia que se desdobra, por exemplo, na recepção triunfal dada em sua cidade àquele mesmo senador renunciante.

Mas, como sempre, é bom ir devagar com o andor. Talvez todos tenhamos direito a um índice cotidiano de idiotia. Talvez a idiotia da TV não produza necessariamente o idiota perfeito. Que a TV abre as portas para nosso idiota interior, aquele de cada um de nós, é evidente. Que sucumbamos todos, inclusive as massas, sempre e em todos os aspectos a esse "idiota residente" não é tão certo.

Fora isso, o livro repete idéias conhecidas. De certo, resta que não mais se trata apenas de constatar a idiotia promovida pela mídia eletrônica e alertar para o assalto à democracia e ao pensamento feito pelos "gangsta rap" e outros neonazistas mal disfarçados. Se há um tema a discutir é o de uma política cultural para a mídia eletrônica, TV e internet. Elas estão aí; como usá-las para evitar que nos usem: é essa a questão, ainda evitada na sociedade e nos governos.



Teixeira Coelho é ensaísta, escritor e diretor do Museu de Arte Contemporânea (MAC-SP), autor, entre outros, de "Niemeyer - Um Romance" (Geração Editorial) e "Dicionário Crítico de Política Cultural" (ed. Iluminuras).

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

QUESTÕES DE SOCIOLOGIA DA 2002 - GUIA DE ESTUDO


QUESTÕES DE SOCIOLOGIA – 2002


1. Como os movimentos sociais são vistos pelos grandes meio de comunicação?

2. O que são movimentos sociais?

3. Quem foi Ernesto Che Guevara?

4. Por que surgem esses movimentos?

5. Qual foi o protesto em junho de 2013?

6. A organização social é importante por qual motivo?

7. Por quem foi definido o socialismo científico? E o que apresentavam?

8. Por que afirmar que os novos movimentos sociais são diferentes dos antigos?

9. Por que aconteceu esse movimento social?

10. Por que os movimentos sociais estão presentes na história?

11. Quem adotou como tática a mobilização e a organização da paralização da produção do capitalismo (greve)?

12. Quando foi lançado o manifesto comunista?

13. Os trabalhadores europeus vieram para o Brasil com promessas de melhores condições de vida. Chegando aqui o que eles encontraram?

14. O que são ações coletivas?

15. O que apresentou o socialismo científico defendido por Karl Marx e Friedrich Engels?

16. O que Karl Marx e Friedrich Engels propunham?

17. Como são reconhecidos os novos movimentos sociais?

18. O que a socióloga Evelina Dagnino afirma a esses novos movimentos sociais?

19. Quail movimento sociail aconteceu no século XVIII? Por que?

20. Defina “novos movimentos sociais”.

21. Quem defendia o socialismo científico? Por que?

22. Os movimentos sociais podem acabar um dia? Por que?

23. Quais foram os resultados das diversas mudanças sociais, econômicas e culturais que ocorreram principalmente nas sociedades mais industrializadas, a partir da década de 1960?

24. Por que os movimentos sociais são uma ferramenta fundamental dos trabalhadores?

25. Quem foram os líderes do primeiro movimento social dos trabalhadores?

26. Qual foi a importância de Ernesto Che Guevara?

27. Por que acontecem os conflitos sociais?

28. Quem defendia o socialismo científico?

29. O que é a teoria da revolução socialista?

30. Em que momento histórico foram fundados os primeiros núcleos anarquistas no Brasil? Explique.

31. Diferencie o novo movimento social dos velhos movimentos sociais.

32. Quais são as teorias de Marx e Engels?

33. O que ocorreu na década de 1980?

34. Os movimentos sociais não desapareceram, mas deram lugar a novos movimentos. Como são esses movimentos?

35. Onde se deu o surgimento do proletariado?

36. O que foi o movimento ludista? Qual é o seu objetivo?

37. O socialismo científico defendido por Marx e Engels apresentou uma mudança qualitativa, que mudança foi essa?

38. Quais são as principais reivindicações dos trabalhadores apresentadas ao governo brasileiro?

39. O que são as ações coletivas?

40. Quando e porque se ressurgiu com força o movimento sindical brasileiro?

41. Por que as organizações são muito importantes nos movimentos sociais?

42. Como as transformações dos movimentos sociais ocorrem.

43. Em julho de 2013, o que as pessoas protestaram?

terça-feira, 7 de agosto de 2018

PODCAST SOBRE O JEITINHO BRASILEIRO

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O JEITINHO BRASILEIRO E O HOMEM CORDIAL

JEITINHO BRASILEIRO: DA CRIATIVIDADE À CORRUPÇÃO  

Você com certeza já ouviu falar do jeitinho brasileiro, mas será que entende por que ele está tão presente na nossa cultura? O porquê de agirmos da forma que agimos, reproduzindo essa prática de maneira tão frequente? Para que possamos compreender ao máximo a nossa sociedade, precisamos entender melhor esse controverso conceito. 

Imagine a seguinte situação: você está na fila do banco. Muitas pessoas esperam para serem atendidas e há um número pequeno de funcionários para atender a todos. As horas não passam, o recinto está abafado e as crianças à sua frente choram, angustiadas com a demora daquele ambiente desinteressante. De repente, você vê um homem andando rapidamente em direção ao caixa. Lá na frente você percebe o homem tentando ser atendido, mas a funcionária faz sinal negativo. Ele diz que seu caso é uma emergência e que o que ele precisa é “rapidinho”

A funcionária continua negando, porém ele é persistente. Nesse momento, o tumulto na fila começa e alguém lá no fundo grita “a fila começa aqui!”, mas o homem não hesita e, de tanto insistir, aparece o gerente. Este o chama num canto e pega o papel que o homem tem em mãos. Pronto, o homem conseguiu o que tanto queria, mesmo com a longa fila e a  demorada espera. Esse é o clássico “jeitinho brasileiro”. 

Com certeza você já presenciou alguma cena desse tipo. Pode ter sido no banco, na padaria ou em qualquer outro lugar. Parece que sempre existe alguém pronto para “dar um jeito”. Se não fosse assim, o jeitinho brasileiro não seria tão conhecido por nós, não é mesmo? Mas acredite, por mais que o termo esteja na boca do povo, suas origens são mais profundas do que imaginamos!  

DEFINIÇÕES E CONCEPÇÕES  

Todos nós temos noção do que é o jeitinho brasileiro e podemos identificá-lo em diversas situações cotidianas. Mas é importante entender também o que os estudiosos têm a dizer sobre ele. Dois exemplos são os antropólogos Lívia Barbosa e Roberto DaMatta, que definem o jeito como algo relativo, que pode ser visto tanto como algo bom quanto ruim No livro “O jeitinho brasileiro: a arte de ser mais igual que os outros”, Livia Barbosa mostra a ambiguidade do conceito: 

“ […] o jeitinho é sempre uma forma “especial” de se resolver algum problema ou situação difícil ou proibida; ou uma solução criativa para alguma emergência, seja sob a forma de conciliação, esperteza ou habilidade. Portanto, para que uma determinada situação seja considerada jeito, necessita-se de um acontecimento imprevisto e adverso aos objetivos do indivíduo. Para resolvê-la, é necessária uma maneira especial, isto é, eficiente e rápida, para tratar do ‘problema’.” 

Neste mesmo livro, Barbosa traz outro ponto interessante. O jeitinho brasileiro pode ser visto tanto como um favor, quanto como uma forma de corrupção. Segundo a autora, ele estaria localizado entre esses dois polos, onde o primeiro é positivo e o outro é negativo, podendo pender mais para um lado ou para o outro. O que caracterizaria o jeito como algo positivo ou negativo depende da situação em que ele ocorre e a relação que existe entre as pessoas envolvidas.

Digamos, por exemplo, que você pediu para que uma pessoa fizesse um favor para você. Até aí não vemos nenhum problema. Podemos pensar que essa pessoa é sua amiga, tornando a situação mais comum ainda. Mas vamos supor que esse seu amigo seja um funcionário do DETRAN e você irá perder sua CNH por dirigir em alta velocidade. Ou seja, o que era um simples favor começa a se caracterizar como algo ilegal. Isso demonstra os dois pontos: como o favor começa a pender para o polo negativo, a depender da situação, e como a relação entre os indivíduos envolvidos é um fator que contribui para o jeitinho. Barbosa explica: 

“Um outro aspecto que singulariza o jeito do favor é o grau de conhecimento entre as pessoas envolvidas na situação. Enquanto eu posso pedir um jeito a um desconhecido, favor não se pede a qualquer um. […] existe a idéia de que determinados assuntos e situações requerem confiança por parte de quem pede e, portanto, é necessário conhecer com quem se está tratando.”

 Em Dando um jeito no jeitinho, Lourenço Stelio Rega traz uma ampla variedade de visões. O autor mostra como são extensas as concepções sobre o conceito, que representam o “jeitinho” desde algo positivo – que retrata a flexibilidade e criatividade do brasileiro em resolver situações – até como uma filosofia de “tentar levar vantagem em tudo”, uma forma de corrupção – nesse caso caracterizando-se como algo negativo.  

PORQUE TEMOS ESSE NOSSO JEITINHO?  

As nossas práticas sociais são profundamente marcadas pelo nosso desenrolar histórico. Por isso, precisamos buscar nas nossas raízes a origem do conceito. Ao discorrer sobre isso, Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro Raízes do Brasil, apresenta o conceito de “homem cordial”. Vale ressaltar que o autor apresenta toda uma contextualização histórica sobre o termo, mas por questões didáticas simplificamos para uma melhor compreensão. 

Sabemos que o Brasil passou por diversos períodos de exploração, que tiveram início com a  chegada dos portugueses. Como já abordado nesse artigo do Politize! sobre patrimonialismo, leitura essencial para a total compreensão do que é o homem cordial, a forma de administração trazida pelos portugueses para o Brasil é a mesma que vigorava na metrópole. Portanto, as particularidades dessa nova terra não foram consideradas e isso abriu espaço para a ampla exploração recursos naturais e de mão-de-obra. 

Em seu primeiro capítulo, Sergio Buarque fala sobre nossas origens ibéricas e sobre as características dos povos da península e mostra que uma característica marcante entre eles era a solidariedade. Esta “existe somente onde há vinculação de sentimentos mais do que relações de interesse – no recinto doméstico ou entre amigos”. Veremos que essa importância dos sentimentos nas relações será uma das características principais do “homem cordial”. 

Futuramente em nossa história, teremos outros momentos de exploração, como por exemplo, no coronelismo, período em que os coronéis forneciam proteção para as pessoas em troca de voto para determinado candidato. Caso a pessoa se recusasse a votar no candidato estipulado pelos coronéis, ela poderia sofrer perseguições e ser agredida. Essa prática ficou conhecida como voto de cabresto. 

Vemos que essas relações foram marcadas pelo fator da “cordialidade”, mesmo que em contextos de tensão. Presentes, proteção e afeto foram dados por aqueles que exploravam e, como escreveu Antonio Candido no prefácio do livro de Sérgio Buarque, “o brasileiro recebeu o peso das ‘relações de simpatia’. Assim surgiu o homem cordial. Aquele que constrói seus relacionamentos pela simpatia, pela emoção e não pela razão; aquele que não está adequado às relações impessoais, agindo predominantemente de forma afetiva. Por isso, somos vistos como pessoas hospitaleiras e receptivas, nossas relações pessoais e íntimas se confundem com as relações públicas. Nós tratamos o que é público como “uma extensão de nossa casa, de nossa família” e assim, conseguimos escapar das formalidades e burocracias existentes. Para o historiador, essa característica do homem cordial traz uma dificuldade em lidar com situações formais e rígidas. 

No quinto capítulo de Raízes do Brasil, depois de uma longa contextualização, Holanda se dedica exclusivamente a caracterizar o “homem cordial” e quais são os desdobramentos de sua cordialidade. Ao se referir sobre a forma impessoal de lidar com as situações formais, o autor mostra que existe uma dificuldade dos brasileiros “de uma reverência prolongada ante um superior”. E ele continua, dizendo que “nosso temperamento admite fórmulas de reverência, e até de bom grado, mas quase somente enquanto não suprimam de todo a possibilidade de convívio mais familiar”. Ou seja, nosso respeito pelos outros traz uma carga de desejo de intimidade. 

Com isso, ele explica até mesmo que o emprego da terminação “inho” serve para nos familiarizar mais com as pessoas ou objetos, como se tivéssemos um apreço, um carinho por elas. Podemos observar que até mesmo o que estamos discutindo é comumente chamado jeitinho brasileiro. Mais para o fim do capítulo, ele nos demonstra que o brasileiro, em decorrência de sua informalidade, estabelece uma relação de proximidade e amizade até mesmo com figuras religiosas, como se essa distância interpessoal não pudesse existir nem mesmo no âmbito da religiosidade. 

Como dissemos anteriormente, uma característica fundamental do homem cordial é que existe uma confusão entre as relações que são estabelecidas, entre o privado e o público. No livro de Lívia Barbosa, DaMatta diz que o jeitinho brasileiro: 

“[…] se constitui num modelo obrigatório de resolver aquelas situações nas quais uma pessoa se depara com um “não pode” de uma lei ou autoridade e – passando por baixo da 
negativa sem contestar, agredir ou recusar a lei, obtém aquilo que desejava, ficando assim ”mais igual” do que os outros”. 

Essa descrição de DaMatta traz um aspecto importante da cordialidade que ajuda a compreender o que estamos trazendo com todas essas informações. O “homem cordial” e o jeitinho brasileiro se relacionam na medida em que os dois tratam de uma forma peculiar de lidar com as situações cotidianas. O “homem cordial” é aquele que mescla os seus sentimentos com situações que deveriam ser formais e impessoais. Ele busca sempre um contato através da afetividade, de uma certa “calorosidade”. No jeitinho brasileiro, podemos imaginá-lo como uma consequência dessa característica. No momento que se estabelece uma relação pessoal e de proximidade com o outro, encontramos uma brecha para quebrar a rigidez e a formalidade do cotidiano e assim, conseguirmos aquele favorzinho na fila de espera, por exemplo. 

A PSICOLOGIA DO JEITINHO BRASILEIRO 

Agora que já esclarecemos as bases históricas do jeitinho brasileiro, precisamos trazer a psicologia comportamental para essa discussão. Ela mostra que nossos comportamentos geram consequências e que, dependendo do resultado que eles trouxerem, esses comportamentos podem cessar ou continuar ocorrendo futuramente. Vamos supor que você vai mal em uma prova e procura o seu professor logo depois da correção para pedir um ponto a mais. Caso ele recuse aumentar a nota e até desconte meio ponto pelo pedido, a chance de você fazer o mesmo pedido para ele em outra ocasião irá diminuir; caso ele aceite, aumentam as chances de você repetir o comportamento. 

A lógica é bem simples: você faz o que faz porque se sente bem assim, você é recompensado por isso. Se você já fez algo errado e foi punido, com certeza pensará bastante antes de repetir a ação. Essa ideia pode nos ajudar a refletir sobre todas as outras ações em nossa vida. Com esse raciocínio, podemos pensar que em uma situação em que alguém furou fila e ninguém se opôs, é possível que a pessoa  torne a furar outra fila futuramente. Então podemos pensar contribuem para a situação tanto quem pratica o ato, quanto quem o presencia sem se opor a ele. E é aí, como cidadãos, que podemos pensar em nossas atitudes. Se presenciarmos alguém dando um jeitinho, seja ele positivo ou negativo, qual deve ser nossa ação: recompensar a pessoa ou repreendê-la?  

ENTÃO, O QUE DEVE SER FEITO? 

Existe um problema ao pensar no jeitinho. Desde sempre, o brasileiro se viu explorado e em uma sociedade hierarquizada. Porém, se pensarmos em outras civilizações que são marcadas por uma história hierárquica, como o Japão por exemplo, veremos que as relações sociais evoluíram de outra forma, muito oposta ao Brasil. 

A hierarquia no Japão é rigidamente respeitada, fazendo com que as relações sejam reguladas por convenções e formalidades que expõem a distância social entre os indivíduos. Ruth Benedict traz esse ponto em seu livro O crisântemo e a espada ao dizer que os japoneses sabem “assumir a posição devida”. Vemos, portanto, que o japonês está longe daquilo que definimos como o “homem cordial”. Essa característica dos japoneses nos leva ao conceito de Giri, que pode ser traduzido basicamente como dever, obrigação. Quando um indivíduo dá algo ou faz algum favor a outro, este último está em “dívida” com o primeiro, devendo retribuir o que foi dado. Assim, é estabelecida uma relação de confiança, fundamentada principalmente na honra e no respeito. Mas então, o que faz com que uma cultura respeite a formalidade e outra tente driblá-la? 

Como mostramos, o patrimonialismo importou um modo de operar de outra civilização, diferente da nossa. Houve certa imposição de valores que não estavam adequados ao modo de funcionamento do brasileiro. E é aí que está a diferença. Se observarmos nossa história e a dos japoneses, veremos que, relativamente a eles, nossa cultura teve uma influência tardia, enquanto a civilização japonesa já tem seus próprios valores desenvolvidos há muito mais tempo. Dessa forma, ao longo de nosso desenvolvimento, encontramos formas criativas e indiretas de burlar as leis que nos impediam de alcançar algum objetivo – e hoje não é diferente. Mas isso não quer dizer que usamos isso sempre para o mal. 

O jeitinho brasileiro é, sem dúvidas, uma característica marcante do brasileiro. Revela toda a sua flexibilidade e sua criatividade – o “gingado” do brasileiro. Isso pode nos trazer coisas boas e inovações para o nosso cotidiano, mas é preciso estar atento, porque no momento em que utilizamos isso de forma a nos beneficiar em detrimento dos outros, estaremos sustentando uma visão negativa de malandragem, e, portanto, de pessoas corruptas. 

Sendo assim, precisamos nos questionar sobre qual é o nosso papel como indivíduos em uma sociedade. Se vivemos em conjunto, temos de encontrar formas de estar sempre melhorando essa sociedade, cuidando e buscando o bom funcionamento desta. Logo, devemos nos conscientizar sobre nossas atitudes, ter uma conduta ética em nosso cotidiano e ter uma participação ativa, para que possamos construir com muita criatividade e inovação um futuro mais honesto para nossa sociedade.  

Referências 

Lívia Barbosa: “O jeitinho brasileiro: a arte de ser mais igual que os outros” 
Sérgio Buarque de Holanda: “Raízes do Brasil” 
Lourenço Stelio Rega: “Dando um jeito no jeitinho”  

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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

BANDEIRAS DO BRASIL: (RE)INVENTANDO. TRABALHO CRIATIVO FEITO PELO 3º ANO DO CIEP 347

















PEQUENAS CORRUPÇÕES



ANALFABETO POLÍTICO

Analfabeto político
                          Bertold Brecht



O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.